Cultura e política no Brasil ultracontemporâneo: um panorama da literatura e do cinema documentário em regime de urgência no pós-2013

Modalidade: 
Programa Institucional de Iniciação Científica (PIBIC)
Orientador(a): 
Rachel Esteves Lima
Resumo: 

Em texto publicado em 2016, o crítico literário Luís Augusto Fischer sustenta que falta à geração dos escritores abaixo dos 60 anos no Brasil o tratamento direto de temas atinentes ao Poder, com P maiúsculo, representado pela elite econômica e a classe política nacionais. No entanto, parece se contrapor a essa tese a publicação, a partir de 2013, de uma série de obras que, em regimes discursivos variados, tem como foco os fatos políticos recentemente ocorridos. O mesmo pode ser observado em relação a filmes que vêm sendo lançados ultimamente, alguns deles premiados em festivais. O projeto tem como objetivo analisar essa variada produção, a partir de uma perspectiva comparatista, focalizando obras literárias e documentários sobre eventos políticos ocorridos no Brasil a partir de 2013, destacando-se as Jornadas de Junho, o impeachment da Presidente Dilma Rousseff e a prisão do ex-Presidente Luís Inácio Lula da Silva. Com esse estudo, pretende-se traçar um panorama das relações entre arte e engajamento político-ideológico na contemporaneidade, analisando a distinção entre o realismo produzido na literatura brasileira, do século XIX até os anos 1970 e o paradigma interpretativo que vem sendo construído para os atuais processos de representação do "real". Como subsídios teóricos, além dos autores que discutem a questão dos novos realismos, pretendemos estudar com maior profundidade os conceitos de multidão, tal como desenvolvido por filósofos como Antonio Negri, Michael Hardt, Paolo Virno, Roberto Esposito e outros pensadores. Da mesma forma, o conceito de comunidade, em suas várias vertentes, deve ser acionado para analisar o corpus da pesquisa, assim como o de "estado de exceção", como proposta por Giorgio Agamben, na esteira de Walter Benjamin e Michel Foucault, para compreender os processos biopolíticos que hoje incidem sobre os sujeitos marginalizados pelo Estado e os modos de reação ativados pela biopotência dos corpos por eles atingidos.

Número de Bolsistas: 
2